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FILHOS DO PARAÍSO

"Filhos do paraíso" concorreu ao Oscar de filme estrangeiro no mesmo
ano em que lá estavam dois fortes candidatos, patrocinados por lobbies
poderosos: "A vida é bela" e "Central do Brasil". Pra mim, se o Oscar fosse
um prêmio sério, a estatueta teria ido para o filme iraniano, sem dúvida.
O filme resgata valores como a solidariedade, a honestidade e o companheirismo,
que nenhuma pirotecnia tresloucada é capaz de criar em estúdio.
Ali perde os sapatos da irmã, Zahra, depois de pegá-los no conserto (de partir o
coração o estado do calçado) e pede a ela para não contar nada aos pais. Passam,
então, a dividir o par de tênis surrado de Ali para ir à escola (ela de manhã, ele à tarde),
o que traz uma série de dificuldades aos irmãos.
A solução, quem sabe, talvez esteja numa competição de atletismo da escola, cujo
prêmio para o terceiro lugar é... um par de tênis.
A cena da corrida, em que Ali precisa chegar em terceiro, é emocionante.
O final, surpreendente, traz uma das cenas mais bonitas dos últimos tempos,
carregada de um simbolismo comovente.
 


Escrito por Ademir às 18h54
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ORIGAMI

Dobra
Vinco
A linha certeira
Pássaro que não canta
Borboleta que não voa
Flor sem lembrança da semente
Dobra
Vinco
O toque preciso
Ainda assim, o papel,
como a pele,
não dispensa esses carinhos tortos


Escrito por Ademir às 00h22
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A PEDRA

 
A pedra estava por demais entediada.
E um dia (terá sido acaso), usando o dedo, experimentou
fazer um sulco no seu próprio corpo.
Que experiência estremecedora aquela!
Foi então que começou a bordar copiosamente estampas no corpo.
E nas ondas do prazer, em profusa propagação,
a pedra deixou-se soltar. Foi desde aquele momento -- embora
a pedra não soubesse. Foi quando entrevi no seu rosto
um sorriso sereno. E pergunto:
Por que você nunca se move?
Mas agora, a pedra nada mais ouve.
 
(Kim Tchun-su)
 

© O PÁSSARO QUE COMEU O SOL
Poesia Moderna da Coréia

Edição: artepaubrasil editora



Escrito por Ademir às 20h46
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Adrian Neal

E falta sempre uma coisa,
um copo, uma brisa, uma frase
E a vida dói quanto mais se goza
e quanto mais se inventa.

(Fernando Pessoa)



Escrito por Ademir às 09h06
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